Chiloé por si só é um lugar que encanta: seja pela simplicidade que a vida parece ganhar por aqui, seja pela beleza natural que tem. Mas não se deixe enganar. O arquipélago tem muito mais ainda do que parece. E, antes de visitar, eu nem imaginava mas, bota mais nisso!

Para começar, das suas inofensivas igrejinhas de madeira, 16 são Patrimônios da UNESCO. Além disso, Chiloé foi o último reduto espanhol a cair na Guerra pela Independência e tem sinais dessa história até hoje. E, no quesito belezas naturais, atrai a atenção de muita gente para a visita às pinguineras.

Apesar de ser um arquipélago, a maior parte das pessoas se concentra na visita à Isla Grande. Nela, os maiores povoados são de Ancud e Castro. Por conta disso, boa parte do que vamos conversar aqui fica concentrado nessa ilha. Então, vamos ao que interessa: o que tem de bom para fazer em Chiloé?

O que fazer em Chiloé

Conhecer as pinguineras de Puñihuil

Apesar do nome Chiloé significar “lugar das gaivotas” (realmente, tem várias aonde quer que você pare), as estrelas da vez são os pinguins quem vem passar uma temporada nos Islotes de Puñihuil para se acasalar e fazer seus ninhos. As colônias que vem parar aqui são de pinguins-de-humboldt, vindo do próprio Chile e do Peru, e de pinguins-de-magalhães, chegando da Patagônia. Esse é um dos raros lugares no mundo onde as duas espécies dividem espaço.

Chiloé - Pinguineras
O Monumento Natural Islotes de Puñihuil (foto: Flickr/Miguel Vieira)

Aproveitando isso, é que várias lanchas fazem o passeio saindo da baía de Puñihuil para ver os pinguins no seu habitat. De quebra, você ainda tem a chance de avistar outros animais da região, como os ostreiros-americanos, as lontras, cormorões, patos-vapor e, claro, gaivotas.

Infelizmente, não dá para ver os pinguins em qualquer época do ano. Se tiver muita vontade de fazer esse passeio, se organize para estar por lá entre setembro e março, ou seja, entre a primavera e o verão.

Informações Práticas

Pinguineras de Chiloé

Endereço: Piñihuil, s/n, 5710000 – Ancud.

Contatos: +56 09 8 3174302 (Central de reservas em Puñihuil)

                     +56 09 8 1747592 (Central de reservas em Ancud)

                     +56 09 6118920 (Central de reservas em Castro)

Saídas de lancha: De setembro a março, diariamente, às 10:30, 10:45, 11:00, 12:15, 12:30, 12:45, 14:00, 14:15, 14:30, 15:45, 16:00 e 16:15.

Custo: 7000 CLP. Crianças de 2 a 10 anos pagam 3000 CLP.

Recomendações: o passeio pode ser cancelado em função das condições do tempo, por isso, confirme antes.

Explorar o Fuerte San Antonio

Ainda em Ancud, o Fuerte San Antonio é outro lugar que merece uma parada. Na verdade, hoje em dia, só restam as ruínas da fortaleza que foi o último reduto de resistência das forças a favor da Coroa espanhola na Guerra de Independência do Chile. No lugar, ficam alguns voluntários que podem te explicar melhor sobre esse momento da história de Chiloé.

Chiloé - Fuerte San Antonio
Fuerte San Antonio

Aqui, além de admirar os resquícios históricos, com direito até a obelisco celebrando a vitória sobre os espanhóis, você pode parar e ficar bobo com a paisagem, que é linda.

Informações Práticas

Endereço: Cochrane esquina com San Antonio, Ancud.

Funcionamento: Segunda a sexta, 8:30 às 21:00. Sábado e domingo, 9:00 às 20:00.

Custo: Não tem um valor formal de entrada, mas os voluntários costumam pedir um valor de ajuda.

Descobrir mitos do Folclore de Chiloé

Os chilotes (povo de Chiloé, muito prazer!) são um povo cheios de histórias que vem passando de geração em geração há séculos. E essas histórias são parte tão importante da sua vida, que você vai ter a chance de ver algumas das referências a eles pela ilha e até nas lembrancinhas que são vendidas no artesanato.

Plaza de Armas de Ancud, por exemplo, está cheia de monumentos que representam essas figurinhas folclóricas. Mas eles não são só monumentos: muitos chilotes acreditam piamente que esses seres vagam por Chiloé!

Para vocês não ficarem perdidos na visita e procurarem por esses seres, vou falar de alguns dos mais famosos:

  • El Trauco: esse é um dos mais falados. Segundo dizem, ele é um ser estranho, que faz lembrar um duende, sem dedos nos pés, que fica vagando pela floresta com um machado e vive procurando jovens virgens. Quando encontra uma, o machado se transforma em flauta, que ele usa para encantar e engravidar a mulher. Depois, quando a criança cresce, ela vai ser chamada para substituir o pai na floresta. Pelo que nos contaram, quando uma garota solteira engravida, dizem que o pai é o Trauco. 😛
Chiloé - Plaza de Armas de Ancud
O Trauco na Plaza de Armas de Ancud
  • La Fiura: ela é a esposa feia do Trauco. Mesmo com uma aparência horrível, os homens não conseguem resistir a Fiura. Além disso, quem rejeitar suas investidas acaba recebendo um feitiço com uma doença incurável. Depois de ter relação com os homens, dizem que a Fiura leva os sujeitos à loucura. Os chilotes costumam usar essa desculpa com as esposas quando passam uma noitada fora: estavam com a Fiura.
  • El Coo: geralmente eu gosto de corujinhas, mas essa não deu. Isso porque El Coo é uma bruxa disfarçada de coruja e, se ela pousa na janela da casa de alguém, quer dizer que um ente querido vai morrer. Coisa do mal, essa!
  • La Pincoya: dá para dizer que essa é uma mulher de fases. La Pincoya é muito bonita e aparece à meia-noite para dançar nas praias de Chiloé. Se ela tá de bom humor e dança de frente para o mar, quer dizer que a pesca vai ser muito boa. Se resolver balançar o esqueleto de frente para a praia, nem adianta tentar que a pesca vai ser ruim.

Chiloé tem muitos outros seres emblemáticos que você pode ir descobrindo só de andar pela ilha. Quando, por exemplo, for comprar alguma coisa que ache “diferente”, pergunte. Provavelmente, vai acabar encontrando outro ser desconhecido da cultura de quem mora nessa região chilena.

Visitar Patrimônios da UNESCO

Como tinha comentado antes, o arquipélago de Chiloé é dono de 16 igrejas consideradas Patrimônios da UNESCO. Nove dessas igrejas ficam na Isla Grande e são perfeitamente visitáveis com a ajuda de um carro. Essas e outras dezenas de igrejinhas no mesmo estilo são marcos da evangelização feita pelos jesuítas na época da colonização espanhola.

O curioso é que elas são feitas de madeira e acabaram virando uma representação de arquitetura dos chilotes. Nesse tipo de arquitetura, você vai ver muito das chamadas “tejuelas de alerce“, onde a madeira dos alerces é colocada de um jeito que simula as escamas dos peixes, para facilitar o escoamento da água das chuvas. Coisa que os carpinteiros aprenderam na construção dos barcos e trouxeram para as obras em terra firme.

De todas as igrejas, a minha preferida é a Iglesia de San Francisco de Castro, com a sua fachada colorida de lilás e amarelo. Ela dá uma alegria para o lugar! Além disso, ela é edificação mais alta da cidade e isso é obrigatório por lei.

Chiloé - Iglesia de Castro
Iglesia de San Francisco de Castro

Admirar as palafitas de Castro

As palafitas são um dos cartões postais da cidade e até do arquipélago de Chiloé, já que refletem o estilo de vida dos pescadores que precisam estar perto do seu ganha-pão. Elas são casinhas de madeira construídas sobre palafitas e tem duas fachadas: uma para a rua e outra para a água. Antigamente, os pescadores atracavam seus barcos e subiam para as casas por escadas de madeira.

Antes do terremoto de 1960, boa parte das margens da Isla Grande tinha palafitas. Hoje em dia, eles se concentram em Castro, junto às margens do rio La Chacra na Avenida Pedro Montt.

Chiloé - Palafitas
As palafitas de Castro

O coloridinho das palafitas sobre a água são um charme só e já dá para ver isso andando pela costa. No entanto, muito embora não seja um must para o passeio, há quem prefira chegar bem de pertinho dessas casinhas por um passeio de barco, que dura 30 minutos. Com sorte, você também vê os leões marinhos que ficam nos arredores do cais. 🙂

Informações Práticas

Passeio de barco em Castro

Endereço: Avenida Pedro Montt, Puerto Maritimo – Castro.

Custo: 3000 CLP.

Aviso: o passeio é negociado na hora e pode não acontecer em função das condições do tempo. Mas, como eu comentei antes, não é nenhum must.

Se aventurar no Parque Nacional Chiloé

O Parque Nacional de Chiloé já ganha a atenção de muita gente só pelas fronteiras: de um lado, o oceano Pacífico, e do outro, uma cadeia de montanhas. Aqui, não vai faltar oportunidade de ver a natureza em ação: tem raposas, colônias de leões-marinhos, pinguins (sim, os de Magalhães e de Humboldt também vem parar aqui!), gaivotas (duh!) e várias outras aves.

O parque tem dois setores principais: o Chepu, ao sul, e o Abtao, ao norte.  A administração do parque fica no setor Chanquín, que fica perto da vila de Cucao e onde você vai encontrar mais informações turísticas.

É da vila de Cucao que a trilha Chaquín-Cole Cole, com uma extensão de 20km pelo litoral do Pacífico e uma vista de tirar o fôlego. Nela, você deve encontrar os huilliche, nativos da região, oferecendo até passeios a cavalo.

Chiloé - Parque Nacional de Chiloé
Parque Nacional Chiloé (foto: Divulgação/CONAF)

Para quem não é chegado numa trilha, o Parque Nacional Chiloé tem áreas para piquenique que dá para curtir numa boa.

Informações Práticas

Parque Nacional Chiloé

Endereço: Setor Chanquín, vila de Cucao.

Contatos: Pelo e-mail [email protected] ou telefone +56 65 2486115

Custo: 4000 CLP, para estrangeiros. Estrangeiros entre 6 e 18 anos e adultos chilenos pagam 2.000 CLP.  Para chilenos entre 6 e 18 anos e idosos o ingresso é 1.000 CLP. Para pessoas com necessidades especiais, o valor também é 1.000 CLP. A entrada é gratuita apenas para menores de 6 anos.

Comer frutos do mar

Não dá para ir a uma ilha de pescadores e não experimentar algum prato com frutos do mar. Aqui, você acha pratos do tipo em feiras, mercados, restaurantes simples e chiquetosos.

O preparo mais típico é o curanto, uma misturada de mariscos, batatas, linguiças, carne de porco e frango, tudo cozido em folhas de nalca sobre pedras quentes e… embaixo da terra! A Mariana mostrou no Viaje na Viagem como é todo o processo de retirada do curanto.

Chiloé - Curanto
Curanto (foto: Flickr/Renzo Disi)

Só vale alertar para a questão da maré vermelha, onde algas tóxicas prejudicam a vida marinha. Em maio desse ano, o governo chileno teve que declarar emergência ambiental por conta delas. Claro que o fenômeno não acontece sempre, mas vale ficar ligado na época que for e, no caso de comer frutos do mar em Chiloé, se certificar de onde eles vem.

Fazer compras de artesanato

Em Chiloé, você também encontra artigos de artesanato bem particulares da região. Eles valorizam muito a matéria-prima produzida nos arquipélagos, então, espere encontrar muitos artigos de madeira e lã. O mais legal é descobrir até onde vai a criatividade desses artesãos que não fazem só roupas ou gorrinhos com a lã, mas também bonequinhas e bichinhos de pelúcia e o que mais der na telha de fazer.

Chiloé - Feira de Artesanato de Dalcahue
Feira de Artesanato de Dalcahue

Muitos artesãos se concentram na Feira Artesanal de Dalcahue, especialmente nos finais de semana, que costumam ser os melhores dias para compras pela variedade de produtos e expositores. Outro lugar bacana para fazer compras é na Feira Artesanal e Mercado Campesino Lillo, nos arredores do Puerto Marítimo de Castro, que tem parte da fachada colorida. Os preços costumam ser muito bons, mas sempre vale dar aquela negociada a mais, dependendo do que pretende levar.

Informações Práticas

Feira Artesanal de Dalcahue

Endereço: Avenida Pedro Montt, 105-138 – Dalcahue.

Funcionamento: Todos os dias, das 9:00 às 20:00.

Feira Artesanal e Mercado Campesino Lillo

Endereço: Avenida Eusebio Lillo, 130 – Castro.

Funcionamento: Todos os dias, 9:00 às 19:00.

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Apaixonada pela vida, tenta viver a expressão "carpe diem". Acredita que cada viagem é um meio de aprender mais sobre a humanidade e o seu próprio eu, por isso ama pôr o pé na estrada. Gosta de contribuir para que outras pessoas tenham experiências cada vez melhores de viagem, por isso quando sabe que um amigo vai viajar, já vem com sua listinha de dicas. A melhor viagem? É sempre a do momento.

17 COMENTÁRIOS

    • Oi, Gê!
      Nós fizemos um bate-e-volta de Puerto Varas para lá.
      Vale super a pena, porque o acesso é tranquilo. Mas confesso que o roteiro ficou meio intenso! Acordamos bem cedo e saímos de lá bem no final do dia.
      Podendo ficar mais tempo, acho até melhor.
      Eu ficaria uns 3 dias inteirinhos por lá.
      E, para se hospedar, provavelmente escolheria Castro, porque fica mais perto do aeroporto e é uma das principais comunas de lá.

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