Como você já deve estar sacando por aqui, a vida de nômade digital não é o mar de rosas que parece pelas redes sociais. Mas também, com jeitinho, inspiração e criatividade, pode ser aquela vida de qualidade que a gente queria.

Para você ter mais uma perspectiva e ideias de como é se virar nos 30 para se manter na estrada, chamei a Fê do Monday Feelings para um papo sobre o assunto. Vê no que deu! 😉

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Qual a experiência da Fê e do Ti com a vida de Nômade Digital?

Depois de passar dois anos e meio viajando ao redor do mundo, a Fernanda e o marido, Tiago, resolveram se arriscar na vida nômade. Eles estão nessa desde março de 2017 e estão naquela fase de colocar na balança: até que ponto vale essa liberdade?

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Para ter ideia, eles largaram a vida no escritório, onde trabalhavam de 9h às 18h (sem contar horas de trânsito, claro!), e passaram a enfrentar uma carga horária das 10h às 22h. Ou seja, mesmo com a rotina mais flexível, ela ficou maior. E, pasmem, isso é mais comum do que se imagina.

Mas, não desanima. Porque tem muita coisa boa também para entrar na conta e a gente conversa sobre isso aqui embaixo. 😉

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Rotina, produtividade, viagens e as dificuldades de se manter como Nômade

O que levou vocês a optarem pela vida nômade?
Fê: Somos apaixonados pelo mundo e gostamos muito de viajar. Estamos sempre inquietos, buscando novas experiências e a vida nômade nos proporciona essa flexibilidade de podermos trabalhar enquanto vivenciamos uma nova cultura.

Vocês chegaram a realizar algum planejamento ou pesquisa? Usaram algum material ou site específico?
Fê: Muita gente se lança em uma viagem de volta ao mundo já com a ideia de se tornar um nômade digital, um empreendedor, mas com a gente não foi assim.

Em 2014, deixamos nossas vidas estáveis em Londres para trás para nos lançarmos em uma volta ao mundo que duraria dois anos. A ideia inicial era apenas essa: viajar e depois ver o que fazer.

Passado esse período “sabático”, percebemos que gostaríamos de continuar com o estilo “nômade”. Foi aí que começamos a pesquisar como poderíamos tornar nosso projeto de vida sustentável economicamente.

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Pesquisamos e estudamos muito. Na verdade, ainda o fazemos, já que o aprendizado é constante.

Ser um nômade digital é empreender e por isso tivemos que aprender muita coisa. Lemos muitos sites (nenhum em específico, mas tudo o que achávamos relevante), fizemos muitos cursos online (principalmente da EduK, Coursera e Shawn Academy), vimos diversos tutorias no Youtube. Focamos nossas energias em aprimorar nossas técnicas de filmagem e fotografia (Lightroom, Photoshop, Premiere Pro, Conceito de luz, Edição), conteúdo escrito para a internet (SEO) e Marketing Digital.

Foi crucial também termos participado das feiras WTM em Londres e do ITB em Berlin, onde tivemos a oportunidade de conhecer outros empreendedores/nômades e uma melhor compreensão do nosso setor.

Quais as maiores crises que tem enfrentado/estão enfrentando?
Fê: Acredito que financeira, pois como qualquer empresa, leva um tempo até termos o retorno que buscamos.

No momento, temos o blog e uma empresa de produção de conteúdo audiovisual (a MF360).

Produzimos conteúdo para clientes e nossa renda vem daí. Já o blog, que é o que demanda mais tempo, ainda não dá muito retorno.

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Como vocês fazem para manter o foco na vida sem rotina?
Fê: Encontrando uma rotina (rs). Percebemos que, pelo menos para nós, é bem difícil sermos produtivos sem rotina.

Esse mês, por exemplo, tentarei evitar trabalhar de casa, pois percebi que não tenho controle (acabo ficando até à 1am atrás do computador e isso não é saudável). A ideia é trabalhar apenas de coworking spaces e durante o horário comercial. Enfim, como falei, é tudo ainda muito novo e temos testado diferentes coisas, aprendendo com nossos erros e acertos.

Que lugares vocês já visitaram como nômades?
Fê: Como expliquei, passamos 2 anos apenas viajando, sem nos preocuparmos em criar conteúdo real ou nos mantermos financeiramente. Apenas em março de 2017 é que nos lançamos nessa empreitada. Desde então, temos vivido na Itália, mas com uma rotina mais estável.

A primeira viagem que fizemos como nômades foi agora em setembro de 2017, quando viajamos de bicicleta de Parma (onde moramos) até a Eslovênia, durante 40 dias.

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Tivemos que nos dividir entre dias pedalando e dias produzindo. A viagem foi toda planejada para que tivéssemos metade do tempo para trabalharmos (tanto para o Monday Feelings quanto para nossos clientes fixos).

Sem contar que estávamos sempre atentos para tirar foto, fazer imagens com o drone, pegar informações para os leitores… enfim, era muita coisa para fazer “junto” com a viagem. Foi bem diferente das viagens que fazíamos antes, onde tínhamos total liberdade, mas ainda assim, adoramos a experiência.

Qual a diferença entre viajar a turismo e como nômade que vocês mais sentiram?
Fê: Acho que não existe essa divisão tão clara… mas se tivéssemos que categorizar, a gente colocaria da seguinte maneira: o turista, o viajante e o nômade digital.

O turista é aquele que tem toda a viagem planejada antes de partir, hotéis bookados com antecedência, um roteiro pré-estabelecido e dia a dia mais engessado.

Já o viajante tem mais flexibilidade e menos certezas. Nós nos víamos mais nessa segunda categoria, como viajantes. Durante nossas viagens, nunca reservamos um hotel com antecedência, tentávamos descobrir sobre o lugar quando lá chegássemos (conversando com locais) e decidindo qual seria o próximo destino no momento em que acordássemos.

Mais do que conhecer um lugar, nós queríamos conhecer pessoas e entender a cultura. É um tipo de viagem muito livre.

Adoro esse estilo! Se encaixa comigo. 🙂

O nomadismo digital tirou um pouco dessa liberdade, pois a viagem deve ser encarada como trabalho e tem muita responsabilidade em jogo (com os leitores e com os parceiros). Tem que se atentar para chegar na data combinada, produzir muito conteúdo (vídeo, foto, foto 360 graus, na vertical pro instagram, na horizontal para o facebook, com o drone para o youtube, stories. Rs. um monte de coisa.).

A grosso modo, como viajante, a preocupação era em absorver tudo o que estávamos vivendo, já como nômades digitais, a preocupação é em como passar tudo aquilo que estamos vendo, da maneira mais real possível, para os nossos seguidores/leitores.

Deixa um recadinho e/ou dica para a galera que está pensando no assunto de se tornar nômade digital, vai?
Fê: Não é uma tarefa fácil. O nomadismo digital é algo muito novo, as possibilidades são muitas e é preciso ter foco. Muito foco. Mas se esse é seu sonho, vá atrás, estude seu campo, fale com outros profissionais, ajude e seja ajudado por outros da sua indústria.
E não desista, o esforço compensa sempre (e essa é uma das maiores lições que temos tido).

No final, como já dizia o poeta “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.

🙂 Fê, obrigada pelo tempo e disponibilidade para esse papo!

E para você aí, vê mais do trabalho da Fernanda e do Tiago no Monday Feelings. 😉

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Apaixonada pela vida, tenta viver a expressão "carpe diem". Acredita que cada viagem é um meio de aprender mais sobre a humanidade e o seu próprio eu, por isso ama pôr o pé na estrada. Gosta de contribuir para que outras pessoas tenham experiências cada vez melhores de viagem, por isso quando sabe que um amigo vai viajar, já vem com sua listinha de dicas. A melhor viagem? É sempre a do momento.

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